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Desordem




Noite de sábado, Passeio Pedra Branca: testemunho a cena e o comportamento testemunhado me entristece. Primeira, a pandemia: aglomeração de mais de uma centena de adolescentes, talvez duas centenas, e a grande maioria sem máscara. Só isso já seria condenável, pela desobediência aos decretos vigentes no estado e no município, em uma situação de emergência em saúde pública e em um momento de ascensão do número de casos de Covid-19 na região da Grande Florianópolis. Segundo, a cidadania: arruaça, confusão, barulho; dificultaram a passagem de carros em alguns momentos, atiraram objetos na sacada do cidadão que reclamou daquele comportamento desordeiro. Este é o problema, o comportamento desordeiro; não a reunião de jovens.


Mais polícia ou menos bandido?

Vivemos um momento delicado, como sociedade. Permitimos a glamourização do crime e estamos perdendo nossos jovens para a “vida louca”. É a pior coisa que poderia acontecer, em termos de segurança pública. Quem leu o livro “Freakonomics” teve uma noção de que a violência arrefece não quando enchemos nossas ruas de policiais (o que é bom, também), mas sim, quando “criamos” menos bandidos. Policiar é remediar; a solução é anterior a isso, é não necessitar de policiamento. E para isso, precisamos trazer nossos jovens de volta para o “lado bom da força”. Precisamos que sejam melhor educados, que entendam o valor do trabalho, que saibam pensar a sociedade de forma coletiva. Não o “coletivo dos mesmos”, mas o “coletivo dos diferentes”; o coletivo na noção de que a minha liberdade termina quando ela afeta as liberdades alheias, quando ela perturba a paz, quando ela traz riscos à sociedade.


As perguntas de 1 milhão de dólares

A questão precisa ser analisada por quem entende do assunto em dois prismas, nas duas “perguntas de 1 milhão de dólares”: onde está a raiz dos problemas e como resolvê-los? O erro está na família? Na escola? Falta rigidez? Falta diálogo? Tem diálogo demais?


Esta história foi emblemática: toda vez que eu ia à praia, eu passava em uma banquinha de cachorro-quente. No início, levava uns 15 minutos para ficar pronto o lanche, porque o movimento era pequeno. Aos poucos, o movimento foi aumentando, e passou a 30, 45 minutos de espera. Conversei com a senhora que fazia o cachorro-quente, sozinha: “Está na hora da senhora arrumar um ajudante, a senhora não está mais dando conta de fazer tudo isso sozinha”. E ela me respondeu: “Seu moço, o senhor acha que eu já não tentei? Convidei vários aqui no bairro, mas esta juventude só quer saber de fumar maconha e ouvir funk”. A culpa é do funk? É do rap, do hip hop, do trap? É do sertanejo, do eletrônico, do rock? A culpa é das drogas? É de quem vende ou de quem compra?

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