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Gol contra




Leio a notícia a respeito da gafe da comitiva brasileira em visita a Israel (a bem representar o negacionismo, acharam por bem não usar máscaras, tomaram um pito dos israelenses e foram obrigados a se mascarar) e me pego a refletir sobre os negacionistas. Cheguei à conclusão de que, por mais que estivessem certos, ainda estariam errados.


Subtítulo: usando metáforas para explicar o que parece ser um paradoxo, partindo do princípio de que estejam certos em seus raciocínios!


Num jogo de futebol: o negacionista é aquele cara que dribla o time inteiro e chuta a bola pra própria rede. Que grande drible, que habilidade para ludibriar o adversário, que jogada magistral, mas o gol é contra e a derrota é inevitável!


Numa guerra: o Negacionistão é invadido, os tanques estão nas ruas (e não são de oxigênio), tiro e bomba para todo lado. Mas o negacionista é inteligente, ele sabe que se trata de uma guerra fabricada, arquitetada por mentes que querem dominar o mundo e escravizar os incautos. Mas não ele! Ele vê o jogo por trás das rajadas de metralhadora e grita que tudo não passa de uma farsa política, que não vai usar colete à prova de balas e nem vai se abrigar em um bunker coisíssima nenhuma porque a guerra não existe. Ele sai pra rua e toma um tiro. E sobrevive. E isso alimenta ainda mais sua certeza: as balas não me mataram, logo, só podem ser de festim, não matam ninguém! “Acordem!” Ele olha pra pilha de mortos na calçada e pensa: se eu não morri, se as balas são de festim, logo, não são mortos de guerra, são mortos do cotidiano, morreriam de qualquer maneira, todo mundo morre um dia. Enquanto isso, os tiros seguem, o país está tomado pelo inimigo. Os soldados nas trincheiras sucumbem ao desgaste de lutar sem ajuda. A ajuda é negada, e este é o grande desastre do negacionismo: a negação humanitária!


Numa pandemia: o negacionista é aquele que não usa máscara, que aglomera, que é contra quarentena. É aquele que sustenta que não existe pandemia, que o vírus é uma gripezinha; que o vírus não mata, o que mata é a comorbidade; que a vacina é nada mais do que uma ferramenta de dominação diabólica. É aquele que elogia o país avançado que não fechou portas e transferiu para a população a responsabilidade: cuidem-se e eu não precisarei suspender atividade alguma! À revelia das estatísticas, que apontam que aquele país tem a maior taxa de letalidade entre as nações da região, para o efeito do silogismo vamos tomar por base apenas as premissas: se eu me cuido, logo, tudo fica aberto; se tudo fica aberto, eu fico feliz; logo, vou me cuidar! E o que o negacionista faz? Não se cuida e cria falácias para convencer os outros a não se cuidarem assim como ele! E isso provoca o caos, que traz o lockdown!


O mundo ideal não tem negacionismo. É um mundo de tolos ingênuos. Um mundo onde as autoridades médicas orientam: use máscara, adote medidas rigorosas de higiene e faça distanciamento social! “Nada precisa ser fechado, apenas siga essas instruções! Não vai evitar a contaminação, mas vai ajudar a reduzir a taxa de contágio. E talvez, assim, nenhuma medida drástica precise ser tomada. Se ainda assim o lockdown for necessário, enquanto eu, Estado, organizo o sistema de tratamento de infectados e me preparo para absorver a demanda por cuidados médicos, eu, Estado, proverei o que for necessário à sobrevivência da economia. Usarei os recursos sabiamente e pontualmente. E contarei com a ajuda da população, que atenderá ao meu chamado e seguirá meu comando. Não transformarei uma situação de emergência sanitária em uma batalha política, e meu povo estará unido, mesmo aqueles que têm posições políticas radicalmente opostas! As pessoas precisam sobreviver e a economia precisa sobreviver. Ambas as sobrevivências dependem de coesão, e não de negação.”


Num jogo de futebol do mundo ideal diante de uma pandemia: vamos jogar fechadinhos que 1x0 é goleada!


Numa guerra do mundo ideal diante de uma pandemia: opa, mundo ideal pode ter um futebolzinho, mas guerra, não tem não! E nem pandemia! Gol do negacionista! Acabou o jogo e nós todos perdemos!

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